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ORIENTAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DO IRMÃO NA SVD


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“VOCÊS SÃO TODOS IRMÃOS”

(Mat 23, 8)

ORIENTAÇÕES
PARA A FORMAÇÃO DO IRMÃO
NA SVD

(Tradução: Ir. Nelson A. André Pires, SVD)

PUBLICAÇÕES SVD
GENERALATO - ROMA - 2005

“VOCÊS SÃO TODOS IRMÃOS”
(MT 23,8)

Orientações para a formação do Irmão na SVD

Apresentação (Feita pelo Superior Geral)

Apêndice: Um panorama geral dos Irmãos Verbitas hoje (Preparado pelo Irmão Alfonso Berger)


APRESENTAÇÃO

Estimados confrades:

Para o título deste opúsculo, “Vocês são todos Irmãos”, inspiramo-nos na citação evangélica de MT 23,8. Este opúsculo deseja oferecer algumas orientações básicas a respeito da Formação do Irmão na SVD. Foi elaborado por uma comissão especial composta pelo Conselheiro Geral, Irmão Alfonso Berger, pelo Secretário Geral, da Formação e educação, Pe. Thomas Malipurathu e pelo Irmão Guy Mazola, convidado especialmente de nossa província do Congo (CNG), para integrar esta comissão, a qual assinala, na introdução, o escopo deste opúsculo. Não é o de outorgar um programa completo para a formação do Irmão. Sua intenção é, isto sim, a de apresentar orientações para o desenvolvimento dum programa de formação do Irmão, que esteja em sintonia tanto com o carisma de nossa Congregação quanto com os sinais dos tempos numa província ou região. Os destinatários principais deste opúsculo são os confrades: Sacerdotes e Irmãos, que trabalham na animação vocacional e na formação, bem como os responsáveis da preparação de programas para a formação dos Irmãos.

A comissão baseou seu trabalho em um bom número de materiais, a saber: as respostas à minuta sobre a Formação do Irmão SVD, que foi enviada anteriormente a todos os formadores verbitas, os diferentes programas de formação dos Irmãos, vigentes em algumas províncias e regiões, além de vários documentos verbitas sobre a Formação do Irmão. A minuta do presente opúsculo foi discutida várias vezes no Conselho Geral e, finalmente, aprovada em sua reunião de 27 de janeiro de 2005. Quisera agradecer aos membros da comissão especial pelo tempo e esforço que empregaram nesta tarefa. É minha esperança e, seguramente, a deles também, que este empenho produzirá seus frutos no desenvolvimento de sólidos e atualizados programas de formação para os Irmãos em nossas províncias e regiões.

O opúsculo inclui, em apêndice, um interessante panorama da situação atual de nossos Irmãos na Congregação, preparada pelo Irmão Alfonso Berger. Se nos deixamos levar simplesmente pelas estatísticas, parece que haveria razões de preocupação. O número dos Irmãos na SVD caiu para 12,5% do total dos membros verbitas. O Irmão Alfonso assinala que essa proporção cairá ainda mais; talvez, até uns 10% nos próximos anos. Afirma ainda que no ano de 2004, de nossos jovens, em votos temporais, só 7,3% eram Irmãos, em quanto que 92,7% eram clérigos. Felizmente, os números não dizem tudo. Para além dos números, existem também sinais de esperança. O Irmão Alfonso menciona três: 1) Os Irmãos na SVD têm dado sempre um testemunho alegre de consagração religiosa mediante suas vidas e seus trabalhos; 2) um número considerável de Irmãos foram eleitos ou nomeados recentemente para importantes cargos de liderança: como vice-provinciais, conselheiros provinciais e superiores locais; 3) parece haver um reflorescimento de vocações de Irmãos em algumas províncias e regiões, em países como Indonésia, Índia, Brasil e Argentina.

Com efeito, creio que não seria real aspirar ao retorno daqueles dias em que nossas comunidades estavam repletas de Irmãos. Embora não devamos afrouxar nossos esforços na animação vocacional dos Irmãos, devemos estar conscientes de que o futuro da vocação do Irmão na SVD estará determinado não pelo número de Irmãos que tivermos, mas pela maneira convincente com que os Irmãos viverem sua vocação. Por isso, devemos prestar uma maior atenção a nossos programas de formação dos Irmãos. De fato, em vários Capítulos Gerais e em assembléias de Irmãos se tem percebido que a necessidade fundamental, na área da vocação do Irmão na SVD, é um bom programa de formação atualizado para os Irmãos. Só os que estiverem adequadamente formados, poderão viver sua vocação de modo consciente, poderão atrair jovens para unir-se a eles na SVD.

Obviamente, a situação da vocação do Irmão na SVD é uma preocupação não só dos Irmãos, mas de cada confrade na Congregação. Os clérigos na SVD são chamados a preocupar-se também com esta situação. Cada um é chamado a apoiar de forma ativa a vocação do Irmão na SVD. Talvez, o melhor apoio é o de acolher o desafio dos Irmãos entre nós, ou seja, de que “nós somos todos irmãos” e assim esforçar-nos por viver essa verdade em todas as nossas comunidades.

Concluo com a citação da declaração do XV Capítulo Geral sobre os Irmãos.

“Cônscios da importância dos Irmãos em nossa Congregação, recomendamos que todos os níveis de governo prossigam em sua faina de dar a conhecer a vocação dos Irmãos e promover seu desenvolvimento na Congregação. Recomendamos, ainda, que os Irmãos sejam motivados a escolher atividades ligadas diretamente às quatro expressões de nosso diálogo profético e com as dimensões características de nossa vocação verbita, e a fazer-se profissionalmente competentes em seu ramo” (Em Diálogo com o Verbo Divino – 1/ 2000 – nº 104).

Oxalá possa este opúsculo ajudar-nos em nossos “esforços de dar a conhecer a vocação dos Irmãos e promover seu desenvolvimento na Congregação”.

Fraternalmente no Verbo Divino,
Antônio M. Pérnia, SVD
Superior Geral

1. INTRODUÇÃO

Em maio de 2003, o Irmão Alfonso Berger, depois de haver discutido o assunto no Conselho Geral, enviou a minuta de um documento sobre a formação do Irmão SVD a todos os formadores. A razão principal dessa iniciativa foi a preocupação acerca da falta de programa de formação para os Irmãos em algumas províncias/regiões. Em alguns casos, os programas não estavam atualizados e, em outros casos, tais programas nem sequer existiam. Contudo, alguns formadores enviaram suas respostas. Em dezembro de 2003, ele apresentou as reações/ respostas à minuta desse documento, que as províncias e regiões haviam mandado ao Conselho Geral até esse momento, bem como alguns programas atualizados.

Depois da reunião de planejamento do Generalato, em janeiro de 2004, o Conselho Geral concluiu que o processo de atualização dos programas de formação do Irmão deveria continuar. Por essa razão, foi enviada uma carta intitulada: Continuando a reflexão sobre a vocação do Irmão SVD (S V D 4b/041172), datada de 14 de maio de 2004, dirigida a todos os formadores. Em junho de 2004, o Irmão Guy Mazola (CNG) foi solicitado pelo Conselho Geral para vir a Roma e formar parte de uma comissão, integrada também pelo Padre Thomas Malipurathu, secretário para a Formação e Educação, do Generalato e o Irmão Alfonso Berger. A tarefa dessa comissão foi a de preparar um opúsculo sobre a formação do Irmão SVD e outros materiais adicionais que serão postos em nosso “site”, para ser utilizados pelos formadores e para motivar às províncias/regiões a rever seus programas de formação para os Irmãos.

Este opúsculo é o resultado de vários intercâmbios de informações sobre a vocação do Irmão verbita entre as províncias e regiões com o Generalato. Trata-se de uma súmula dos conteúdos e atividades principais do programa de formação do Irmão, traçado pela atual comissão. Este opúsculo é oferecido como uma ferramenta que pode ajudar as províncias e regiões a atualizar seus programas de formação para os Irmãos. A intenção principal é oferecer motivações e orientações baseadas nas respostas à minuta do documento, nos programas de formação dos Irmãos disponíveis no Generalato e outros textos com o escopo de melhorar a programa da formação dos Irmãos nas províncias/regiões.

Os formadores verbitas poderiam utilizar este opúsculo como uma fonte de referência sobre a formação do Irmão em seus encontros e conversas informais com possíveis candidatos verbitas, quando lhes apresentarem as duas opções de servir o Senhor na Congregação, como Sacerdote ou como Irmão. Além disso, este opúsculo poderia constituir um valioso meio para os animadores vocacionais, no sentido de apresentar uma idéia mais clara acerca da formação do Irmão na Congregação.

Confiamos em que, nos diferentes níveis (provincial/regional/zonal), certamente se apreciará este opúsculo como uma ajuda para desenvolver apropriados programas de formação para nossos Irmãos. Ao realizar essa iniciativa, dever-se-ia ter em conta os desafios missionários que nossa Congregação tem de encarar hoje para dar testemunho do Reino de Deus.

É importante ter presente que não existe a intenção de forjar um programa uniforme para todas as províncias e regiões. O objetivo deste opúsculo é animar as províncias e regiões a atualizar seus programas de formação para os Irmãos. O que apresentamos aqui é um esquema concreto para apoiar essa tarefa. Quando esse trabalho estiver concluído, gentilmente, envie uma cópia do referido programa ao Generalato, após sua aprovação pela autoridade competente. Solicitamos-lhe isso a fim de enriquecermos o rol eletrônico com diferentes programas de formação disponíveis em nossa página “web”.

Para obter ulteriores informações acerca dos diferentes programas de formação do Irmão verbita, vá à página “web” SVD: www.svdcuria.org (apartado formação), ou envie seu pedido ao Generalato, caso não consiga ter acesso na página “web” em suas línguas originais. Poder-se-á solicitar às províncias e regiões, se for necessária, a tradução de seus programas respectivos numa das línguas oficiais da Congregação.

2. OS IRMÃOS NA CONGREGAÇÃO

2.1 O passado

Lançando um olhar retrospectivo para nossa história como Congregação, identificamos três etapas principais do desenvolvimento da vocação dos Irmãos. A primeira etapa deveria abarcar desde a fundação (1875) até o Concílio Vaticano II (1962 – 1965). Durante esse período, o Irmão era considerado como uma “pessoa consagrada que dedicava sua vida à missão da Igreja mediante seu trabalho manual” (Analecta SVD – 70/2, 1995 – A Vocação do Irmão SVD hoje). A despeito de sua importante contribuição na missão, o Irmão era considerado como um ajudante dos sacerdotes, os quais eram tidos por principais agentes da missão naquele tempo. Mais tarde, com o Concílio Vaticano II, o objetivo era, isto sim, servir o Reino de Deus e não meramente implementar a Igreja.

A segunda etapa, entre 1965 e 1982, coincide com um dos períodos mais críticos de nossa Congregação, em geral, e dos Irmãos, em particular. Tivemos que encarar a situação de um grande número de Irmãos que deixou a SVD; cada um deveu ajustar-se à nova compreensão da Igreja e da missão. Durante esse período, embora com dificuldades, a formação dos Irmãos foi atualizada, introduzindo-se uma ampla formação espiritual e pastoral, junto com a formação profissional. Desde o IX Capítulo Geral (1967 – 1968) em diante, sempre tem havido Irmãos presentes nos Capítulos Gerais, e alguns deles foram eleitos conselheiros gerais. Nessa mesma linha, o último Capítulo Geral, ou seja, o mais recente, também acentuou: que todos os cargos na Congregação sejam acessíveis a todos os confrades em votos perpétuos... (EDV1, “Outras decisões do XV Capítulo Geral”, Resolução 2,7).

A partir de 1982, tem havido um período de consolidação a respeito da vocação do Irmão. De fato, naquele ano, o XII Capítulo Geral aprovou as novas constituições e também deu orientações específicas para a formação dos Irmãos. De acordo com o XII Capítulo Geral (1982), o programa dos Irmãos deve destacar claramente “três aspectos principais da formação: 1) desenvolvimento humano; 2) desenvolvimento missionário e espiritual; e 3) formação técnica e educação ulterior” (Nuntius Vol. XI, p.586). A isso se acrescenta que o texto final da assembléia sobre a Vocação do Irmão (Nemi, 1994, Analecta 70/2, pp. 96 – 102) deu certas orientações no que concerne à identidade, espiritualidade e formação dos Irmãos. Agora é o momento de perguntarmos: Como foram integradas essas orientações nos programas de formação dos Irmãos? As províncias e regiões realizaram uma avaliação trienal dos programas de formação dos Irmãos, como foi recomendado pelo XIV Capítulo Geral (1994)?

2.2 O presente

O XV Capítulo Geral (2000) confirmou o processo de renovação da Vocação do Irmão verbita e recomendou a toda a Congregação: “Cônscios da importância dos Irmãos em nossa Congregação, recomendamos que todos os níveis de governo prossigam em sua faina de dar a conhecer a vocação dos Irmãos e promover seu desenvolvimento na Congregação” (EDV 1, nº 104). Segundo essa declaração, há um novo reconhecimento dos Irmãos; eles são apreciados em razão de sua importância em e para a Congregação. Essa importância não só nos serviços dos Irmãos, mas em sua vida consagrada, como leigos. Sua presença realça nossa comunidade verbita. Eles recordam à Igreja, em geral, e à Congregação, em particular, nossa complementaridade, como Sacerdotes e Irmãos, na missão. “Há diferentes tipos de dons espirituais, mas é o mesmo Espírito que os dá. Há diferentes modos de servir, mas é o mesmo Senhor que servimos” (I Cor 12,4-5).

Em muitas comunidades verbitas, os Irmãos se destacam por seu sentido de acolhida, de participação na vida comunitária e por seu espírito de oração. Além disso, deve-se acrescentar o fato de que, mediante seus diferentes serviços e profissões, os Irmãos contribuem também para a auto-sustentação da Congregação, e mantém conscientes seus membros desse assunto.

2.3 O futuro

O XV Capítulo Geral fez ainda uma recomendação concernente à missão dos Irmãos: “Recomendamos, ainda, que os Irmãos sejam motivados a escolher atividades ligadas diretamente às quatro expressões de nosso diálogo profético e com as dimensões características de nossa vocação verbita” (EDV 1, nº 104). Um grande número de Irmãos está ainda dedicado a tarefas e serviços tradicionais em algumas grandes comunidades verbitas, pelo que agradecemos sinceramente. Contudo, como poderiam os Irmãos integrar melhor em suas vidas e em seus serviços as dimensões características, no contexto do diálogo profético? Ambos: o diálogo profético e as dimensões características se aplicam a todos os membros da Congregação. Por isso, um Irmão pode participar dum grupo de oração bíblica semanal, ou promover um sentido de paz e de justiça entre os membros da comunidade.

Como os Irmãos podem progredir na prática do diálogo profético em suas vidas quotidianas? Lancemos um olhar aos Evangelhos. Eles nos mostram alguns exemplos muito expressivos, nos quais Jesus vai ao encontro da gente, atravessa a cidade (Lc. 19,5), e senta-se à mesa com os publicanos (mt 9,10-13). Em todos esses encontros, Jesus pergunta, escuta, chama seus interlocutores por seus nomes, e perde tempo com eles. Seu exemplo nos inspira a começar com pequenos passos na direção das pessoas que buscam a fé, a sair ao encontro dos pobres e marginalizados, a encontrar gente de outras culturas, bem como os seguidores de outras crenças religiosas.

Como os Irmãos que vivem e trabalham mais próximos das pessoas, poderiam integrar ulteriormente as dimensões características no contexto do diálogo profético?

Sabemos que um considerável número de Irmãos trabalha no desenvolvimento humano, na educação, em entidades pastorais, bem como em outros apostolados/ serviços como a formação, os centros de saúde centros de comunicação etc. Embora esses serviços sejam cumpridos com grande empenho missionário, dever-se-ia analisar como eles favorecem a abertura aos buscadores da fé, aos pobres, àqueles que pertencem a outras culturas e religiões/ Em outras palavras: Como estão os Irmãos, mediante seus compromissos missionários, orientando os pobres e marginalizados a organizar-se melhor? De que maneira estão suas atividades pastorais motivando as comunidades cristãs a ir ao encontro dos buscadores de fé; de criar uma atmosfera de acolhida para eles? Podem dizer que seu trabalho ajuda o povo a cumprir sua missão no mundo, em espírito de diálogo profético e de respeito por aqueles que professam outras crenças ou são de outras culturas?

Como missionários, os Irmãos deveriam estar conscientes de que seu primeiro objetivo na missão é o de dar testemunho do Reino de Deus. Isso realizam por meio do testemunho de vida comunitária e do compromisso missionário com a gente que encontram em suas atividades quotidianas. Uma conseqüência desse novo modo de realizar a missão hoje é a necessidade de cultivar uma abertura de espírito, uma atitude de contemplação do que ocorre no mundo à luz da Palavra de Deus.

“As condições mudadas e em mutação no atual contexto missionário tornam mais urgente o dever de renovar a nossa resposta missionária” (EDV, nº 34). Nesse sentido, os candidatos a Irmão necessitam uma formação apropriada que lhes permita encarar os novos desafios e as exigências da missão de nosso tempo. As seguintes orientações foram pensadas como uma ajuda para alcançar esse objetivo.

3. ANIMAÇÃO VOCACIONAL E PROGRAMA DE FORMAÇÃO

3.1 Animação vocacional

“A pastoral vocacional continua sendo uma de nossas responsabilidades mais importantes, especialmente pela escassez de vocações em algumas províncias, o que, desde há algum tempo, é motivo de preocupação entre nós. Só um profundo amor à Igreja e à Congregação, junto com um sincero entusiasmo por nosso trabalho missionário, impulsionarão todos os confrades a cooperar nesse importante assunto, e, assim, poremos os fundamentos necessários para um crescimento renovado das vocações religiosas e missionárias. A promoção vocacional direta terá sentido e êxito só a partir desses pressupostos” (Manual do Superior [MS], C – 1, 2.0).

Por conseguinte, o acompanhamento das vocações não deveria ser somente a responsabilidade dos confrades designados para essa tarefa. Cada confrade, seja qual for seu trabalho, deveria comprometer-se com a promoção de vocações para a Congregação, por meio de contatos pessoais/correspondência com a juventude, mas, sobretudo, mediante um bom exemplo de vida.

Algumas vezes, os jovens desejariam partilhar seus sentimentos, dúvidas sobre a fé, ou solicitar alguns conselhos sobre as vocações na Igreja. Seria uma pena se estivéssemos demasiado “ocupados” com nossas atividades pastorais, sociais ou educacionais a ponto de não dar a devida atenção a essas buscas. Há diversos meios para ajudar os possíveis candidatos a discernir o chamado de Deus: folhetos vocacionais, contatos com os promotores/animadores vocacionais, grupos de reflexão vocacional e retiros espirituais.

“O possível candidato deverá receber, desde o primeiro contato, informações completas sobre os dois caminhos em que se vive e se presta serviço religioso e missionário em nossa Congregação: como Irmão ou como Sacerdote” (MS, C- 1,4.1).

Com respeito à vocação do Irmão, “certos fatores históricos, religiosos e sociais fazem que a vocação do Irmão apareça deslocada no tempo atual. Devemos ajudar para que se compreenda que a vocação do Irmão tem suas raízes no espírito do Evangelho e satisfaz muitas das aspirações da juventude atual” (Testemunhando o Verbo – TV – 7, doc. IV, nº 2).

A importância da vocação do Irmão provém da natureza intrínseca do ser Irmão. Por isso, seu valor não está em relação à vocação sacerdotal, mas, segundo o Concílio Vaticano II (Perfectae Caritatis,10), em si mesma, como uma expressão genuína da vida consagrada, uma “vocação completa”.

Posto que a vocação do Irmão é pouco conhecida e, menos ainda, compreendida entre os fiéis, deveríamos empreender sérios esforços para familiarizar o povo com essa vocação. Um modo de fazê-lo é dar exemplos concretos de Irmãos verbitas a candidatos potenciais, mediante entrevistas pessoais com eles ou por meio de artigos e folhetos que tratem de sua vocação.

3.1.1 Objetivos

O objetivo geral é acompanhar o candidato em seu discernimento vocacional e ajudá-lo a tomar uma decisão madura no que concerne à vida religioso-missionária como verbita. Por isso, faz-se necessário o seguinte:

  • Refletir sobre a própria vocação à missão da Igreja e da Congregação.
  • Estar disposto a crescer na dimensão humana e na vida espiritual.
  • Chegar a uma compreensão inicial e apreço pela vida religiosa e missionária em geral e pela SVD em particular.
  • Depurar sua própria opção e idoneidade para unir-se à SVD.
  • Aprofundar sua crescente relação com Deus.
  • Entender e valorizar as diversas maneiras em que a Igreja realiza sua missão.

3.1.2 Meios

  • Contato permanente e regular com o candidato mediante correspondência ou por outros meios, inclusive encontros pessoais.
  • Acompanhamento personalizado.
  • Oferecimento de contatos com as comunidades verbitas, onde for possível.
  • Organização de acompanhamentos vocacionais e retiros.
  • Uso de folhetos vocacionais, calendários, boletins informativos etc., como meios de informação e inspiração.
  • Conhecimento da família do candidato, desenvolvendo uma relação e confiança, além de abordar temas relacionados com a SVD e a vida religioso-missionária.

Para melhorar a animação vocacional com respeito à vocação do Irmão, é aconselhável intercambiar informações e alguns materiais didáticos relacionados com a animação/pastoral vocacional entre as diferentes províncias e regiões, por exemplo, por meio do “E-mail”.

Recomenda-se a participação regular de alguns Irmãos em votos perpétuos na animação vocacional. Sugere-se, além disso, que os Irmãos em votos perpétuos visitem as casas de formação de vez em quando. Na medida do possível, um Irmão deveria formar parte da equipe de animação vocacional.

3.2 Pré-noviciado

3.2.1 Propedêutico

Em algumas províncias, “às vezes se requer um ano de formação introdutória antes da filosofia ou da universidade ou seu equivalente. Às vezes, isso se denomina: ano propedêutico. Embora se possa considerar como parte do programa de formação de pré-noviciado, esse ano não deverá ser tido como postulantado” (MS, C-2, 2.3). No entanto em algumas províncias/ regiões, o propedêutico está integrado no postulantado.

3.2.2 Postulantado

“Nas províncias onde a filosofia, a universidade ou seu equivalente precede o noviciado o postulantado costuma integrar-se ao último ano ou meio ano do programa de pré-noviciado... (MS C-2, 2.2). Em algumas províncias e regiões, o programa do postulantado para os Irmãos faz-se em comum com os candidatos clérigos. A duração dessa etapa varia de uma província a outra.

O postulantado é um período no qual se procura ajudar o postulante a alcançar um discernimento mais realista acerca de sua vocação. Uma vez chegado a essa decisão, o postulante deveria expressar seu desejo de continuar rumo às etapas seguintes de sua formação.

A ênfase do programa do postulantado verbita está no crescimento do postulante em sua dimensão psicoemotiva. Contudo, as outras dimensões da formação religiosa (humana, espiritual, acadêmica e pastoral) também são abordadas. A dimensão psicoemotiva é considerada de suma importância, já que ela constitui uma das bases essenciais para tomar uma decisão livre e madura no que concerne à sua própria vida como religioso e missionário. Dever-se-ia dar uma ênfase especial sobre o estudo e a reflexão da psicologia humana. Para tanto, apropriadas conferências, dinâmicas de grupo, testes e entrevistas pessoais com um profissional são meios valiosos. Nesse contexto, a sexualidade humana e a afetividade também deveriam ser abordadas. Ter-se-ia de oferecer uma orientação adequada ao candidato que necessite de ajuda nesse assunto.

Todas essas atividades deveriam ajudar os candidatos verbitas a alcançar um melhor conhecimento e aceitação de si mesmos. Deveriam desenvolver atitudes e capacidades nas relações interpessoais, em vista de nossa vida comunitária e apostólica. Sinais de dificuldades emocionais deveriam ser identificados e tratados adequadamente. Essa abordagem profissional, junto de uma apropriada ajuda espiritual, permitirá aos candidatos a consecução de um melhor discernimento de sua vocação.

Nessa etapa, o candidato é introduzido na vida comunitária verbita. Trata-se de um tempo de discernimento, tanto por parte do candidato quanto por parte da Congregação, no que toca à sua aptidão para tornar-se um verbita, seja como sacerdote ou como Irmão. Seria melhor que o candidato se decidisse já nessa etapa se quer ser sacerdote ou Irmão. A razão disso é a necessidade de uma orientação mais clara do candidato a Irmão, especialmente em relação à sua formação profissional. Também facilitará o processo de discernimento do candidato a Irmão (ver também 3.2.2, parágrafo 3º: Estabelecimento de um projeto pessoal de formação do Irmão).

O programa de formação no postulantado poderia ser resumido em três palavras: INTEGRAÇÃO (Vida comunitária, aceitação de si mesmo e dos outros); ESPIRITUALIDADE (Vida espiritual, discernimento) e ESTUDO (melhora do nível acadêmico e estudos). Considerando nosso carisma, marcado pela internacionalidade, recomenda-se o estudo de uma das línguas oficiais da Congregação (ou uma segunda, caso já se fale uma delas).

3.2.2.1 Objetivos

  • Discernir sua própria vocação.
  • Crescer no autoconhecimento, na aceitação de si mesmo e dos outros.
  • Superar as deficiências dos anos anteriores no que respeita ao nível educacional, espiritual, humano e intelectual.
  • Fazer a experiência da comunidade verbita e compreender melhor a natureza da vida religioso-missionária.
  • Familiarizar-se com a história e espiritualidade da Congregação.
  • Preparar-se para as etapas ulteriores da formação e dos estudos acadêmicos.
  • Aprender uma das línguas oficiais de nossa Congregação.

3.2.2.2 Meios

  • Exercícios espirituais (Eucaristia diária, oração, meditação, partilha da Palavra em grupos bíblicos e partilha da sua própria fé).
  • Conferências e orientações relacionadas à dimensão psicoemotiva e à sexualidade.
  • Fomentar boas relações com os superiores, com outros confrades, com as mulheres e com os homens em geral etc.
  • Aulas regulares sobre: a história da SVD, espiritualidade verbita, biografia de Santo Arnaldo Janssen, de São José Freinademetz e da Bem-aventurada Maria Helena. Além disso, dever-se-ia ter aulas sobre a história das SSpS e das SSpSAP; Introdução à bíblia (Antigo e novo Testamento); noções básicas de informática;estudo de línguas.
  • Serviços pastorais (pastoral de juventude, catequese, pastoral da saúde etc).
  • Aquisição de uma consciência gradual da missão SVD, de suas atividades, tendo contato direto com alguns confrades que podem partilhar suas experiências.
  • Entrevistas pessoais com o diretor do postulantado e avaliação regular.
  • Direção espiritual.
  • Trabalho manual, esportes.

3.2.2.3 Um projeto pessoal para o candidato a Irmão

É difícil estabelecer um programa geral para todos os Irmãos, considerando a diversidade de interesses, especialmente em relação às profissões e também ao nível dos estudos de cada um. Alguns entram em nossa Congregação com uma formação profissional específica; outros, ainda devem escolhê-la e cursar os estudos correspondentes.

É necessário um projeto pessoal para os candidatos a Irmão ali onde constituírem uma minoria, por exemplo, vivendo entre uma maioria de estudantes clérigos. Inclusive onde os candidatos a Irmão se formem separadamente dos candidatos a clérigos, é aconselhável estabelecer um projeto pessoal para cada um, devido a que, amiúdo, sua formação profissional difere de uns a outros.

Esse projeto faz-se indispensável para resistir à tendência de orientar todos os candidatos verbitas pelo mesmo caminho formativo (currículo). Por exemplo, todos fazem a filosofia, sem ter em conta que alguns já optaram por ser religiosos de uma maneira particular, como Irmãos. O referido projeto é importante para o candidato a Irmão, já que oferece um plano a seguir, um ponto de referência para avaliações e um estímulo para desenvolver seus talentos no contexto da vida e da missão SVD. Além do mais, capacita o jovem candidato a crescer em confiança e estima por sua vocação.

O projeto pessoal é uma espécie de “folha de rota” para o candidato a Irmão, no qual se tem em conta seus talentos, preferências, aptidões, assim como as prioridades da Congregação (ver Co. 515,1 e EDV 1, nº 104). Isso requer um acompanhamento pessoal do candidato, tomando-o seriamente e fazendo-o protagonista de sua formação.

Embora esse projeto se inicie na primeira etapa da formação, quando o candidato expressa seu desejo de ser um Irmão, é aconselhável que se dê continuidade nele (no projeto) em outras etapas da formação do Irmão. O prefeito/diretor dos Irmãos, em colaboração com o candidato, estabelecerá e apresentará o mencionado projeto à comissão da formação ou à autoridade competente para sua aprovação.

3.2.3 Formação teológica

Um Irmão verbita é um religioso-missionário e um servidor, sensível aos sofrimentos e às necessidades dos outros. Como membro da Igreja, dá um vivo testemunho do Evangelho. Para a adequada proclamação do Evangelho, é indispensável a familiaridade com as sagradas escrituras e com algum estudo formal de teologia. Por isso, é mister que cada Irmão aprofunde a compreensão da mensagem cristã em sua vida.

“Além da formação profissional, deve-se oferecer aos Irmãos uma correspondente formação teológica e missiológica básica, de modo que possam ir a fundo em sua própria vocação e trabalhar na pastoral catequética” (Co 515.2).

Ao iniciar o programa de formação do Irmão, cada candidato, com a ajuda do diretor interprovincial da formação dos Irmãos, estabelecerá um programa de estudos teológicos. Normalmente, requer-se um período de 1 a 2 anos para cobrir as áreas básicas de teologia.

Em algumas províncias, essa formação teológico-religiosa vem depois da formação profissional. Seguindo a atual tendência de várias províncias e regiões, é aconselhável fazê-la antes de encarar os estudos profissionais, salvo existirem importantes razões contrárias. Onde for possível, os Irmãos deveriam fazer sua formação teológica em institutos que atendam esse tipo de formação para religiosos e leigos.

Sugere-se, além disso, que durante os estudos teológicos, cada Irmão mantenha um contato regular com seu interesse profissional, seja mediante leituras específicas ou por meio de trabalhos práticos relacionados com tal interesse. Isso é especialmente relevante para aqueles candidatos a Irmãos, que ingressam na SVD com um diploma profissional.

Os formadores deveriam prestar atenção ao fato de que os candidatos a Irmão poder ter horários e atividades diferentes dos candidatos ao sacerdócio. Desse modo, nem sempre poderão participar em todas as atividades comunitárias. Por essa razão, deveria existir a correspondente compreensão e flexibilidade por parte dos formadores e da comunidade face aos candidatos a Irmão nesse ponto. Por outra parte, os candidatos a Irmão deveriam estar conscientes de sua liberdade para gerir bem seus estudos acadêmicos/atividades. Essa observação também se estende aos Irmãos juniores (Irmãos em votos temporais), que fazem sua formação profissional ou sua experiência prática/OTP.

3.2.3.1 Objetivos

  • Aprofundar em sua própria vida espiritual e em seu amor pela pessoa de Cristo.
  • Ampliar seus conhecimentos acadêmicos e intelectuais.
  • Crescer como pessoa em diferentes níveis.
  • Integrar o próprio conhecimento com a prática pastoral.

3.2.3.2 Meios

  • Moral cristã e doutrina social da Igreja.
  • Teologia da vida religiosa.
  • Teologia bíblica.
  • Missiologia, Ecumenismo.
  • Teologia pastoral e catequética.
  • Sociologia, psicologia, atropologia religiosa e ciências políticas.

3.3 NOVICIADO

O noviciado é um tempo oportuno para um aprofundo discernimento, durante o qual o noviço é orientado a clarificar melhor sua vocação. Constitui, além do mais, um tempo próprio para cimentar sólidas bases na vida religioso-missionária. O noviço aproveitará esse tempo para discernir e confirmar sua opção com respeito ao modo de servir o Senhor na Congregação, ou seja, como Irmão ou como Sacerdote.

“Por princípio, em nossa Congregação, Irmãos e Clérigos fazem o noviciado em comum. Onde o noviciado dura dois anos, pelo menos o ano canônico é feito em comum, Se surgirem dificuldades tal noviciado será feito em separado” (Co 512,8).

3.3.1 3.3.1- Objetivos

“O noviciado serve para amadurecer e esclarecer a vocação. Oferece uma introdução básica para viver o seguimento de Cristo, tal como se encontra delineado na vida e na espiritualidade de nossa Congregação e expresso em nossas Constituições. Desse modo, abre caminho para um seguimento cada vez mais estreito. Mediante uma viva união com o Verbo Divino e da vida em comunidade, o noviço deverá chegar a um melhor conhecimento de si mesmo e da Congregação, de modo que possa tomar uma decisão responsável e madura acerca de sua vocação” (Co. 512).

3.3.2 Meios

  • Eucaristia diária e orações comunitárias; meditação das Sagradas Escrituras; leitura espiritual e participação em grupos bíblicos no seio da comunidade.
  • Dias de reflexão e retiros espirituais.
  • Vida quotidiana segundo os conselhos evangélicos.
  • Colocação em prática da ordem do dia e da liberdade frente a coisas/pessoas; integração da solidão/silêncio; prática do serviço na comunidade; criação de relações fraternas.
  • Cultivo da espiritualidade missionária, acolhida das experiências de alguns missionários.
  • Estudo da história, das Constituições e do carisma da SVD, bem como da espiritualidade cristã.
  • Reflexão pessoal apoio psicológico; direção espiritual; correção fraterna.
  • Avaliação comunitária, reflexão partilhada sobre a experiência do noviciado.
  • Trabalho manual, esportes.

3.4 Pós-noviciado

3.4.1 Votos Temporários

“Os anos de votos temporais ajudam o ulterior desenvolvimento da vida espiritual. Servem para dispor os confrades a responder melhor às exigências que Deus lhes faz por meio dos conselhos evangélicos e a ver mais claramente as possibilidades de trabalho que lhes oferece a Congregação. Nessa fase, cada confrade deve crescer na convicção de que atingirá sua realização humana, seguindo sua vocação religioso-missionária. Dessa maneira, durante esse tempo devem continuar a crescer em autoconfiança e equilíbrio, em capacidade para viver e trabalhar em comunidade, no espírito de fé e de disponibilidade missionária” (Co.513).

Esse é um período de crescimento contínuo. Como religioso e missionário verbita, um Irmão em votos temporais deveria integrar de modo harmonioso em sua vida a oração pessoal, a meditação, o exame de consciência, a leitura bíblica e a leitura espiritual. Deveria participar regularmente na oração comunitária e na liturgia. Além disso, deve ter um diretor espiritual, próximo da sua comunidade, de modo que o possa encontrar de forma regular.

Ao designar um Irmão em votos temporais a um determinado lugar, requer-se que ali haja um ambiente adequado, para que possa ir crescendo de um modo dinâmico. Implica, ademais, que a referida comunidade demonstre respeito por sua pessoa, dê-lhe uma direção firme e o questione quando for necessário. Essa comunidade deve ter uma oração regular, promover o crescimento espiritual, a abertura e a compreensão.

O prefeito dos Irmãos em votos temporais deverá encontrar-se regularmente com cada Irmão. Do mesmo modo, deveria encontrar-se com os responsáveis locais da formação dos Irmãos, a fim de conhecer melhor seus progressos e suas dificuldades. Cumpre haver uma avaliação anual do desempenho dos Irmãos por parte do diretor da formação dos Irmãos, bem como dos responsáveis locais dessa formação e de cada Irmão em apreço.

3.4.2 Formação profissional

“A participação do Irmão no apostolado é direta, orientada para o povo e o solicita de contínuo a assumir melhor um papel de liderança. Embora se deva continuar estimulando os serviços que prestava, mediante os ofícios tradicionais, a educação do Irmão deve levar em consideração tanto a maior variedade de suas opções e ministérios, como também o nível profissional que se exige hoje” (ver Analecta SVD 70/2, 1995, pág.93). Enquanto se acentua a formação profissional do Irmão, não se poderia esquecer que sua preparação deve “responder às exigências do país e ter em conta a finalidade missionária e o caráter internacional de nossa Congregação” (Co. 503).

Há também a ponsabilidade para os candidatos a Irmão de realizar sua formação profissional em outro país, como recomenda o XIV Capítulo Geral: “Com o fim de garantir o caráter internacional da Congregação e ampliar horizontes, dever-se-ia continuar a prática de enviar, depois do noviciado, Irmãos e seminaristas a outros países, para continuar sua formação teológica ou especialização* profissional” (Em la Huellas de Verbo – HV – 5.5.9).

*NB.: o texto original (em inglês) menciona aqui “professional traning”(formação profissional), o que não é o mesmo que especialização/ estudos superiores (cf. FW 5,5.9).

3.4.2.1 Objetivos

  • Adquirir aptidões profissionais.
  • Crescer em auto-estima e confiança de si mesmo.
  • Expandir-se em sua vocação religioso-missionária como Irmão verbita.

3.4.2.2 Meios

  • Estudos numa faculdade ou instituto reconhecido.
  • Estudo/debate sobre documentos da Igreja no que toca à vida religiosa, além dos documentos da SVD.
  • Exercícios espirituais (meditação, leitura da Bíblia, dias de reflexão, retiros espirituais, orientação espiritual).
  • Desenvolvimento do sentido de pertença a uma comunidade particular e da participação ativa nela.
  • Prática do diálogo com gente de outras crenças e culturas.
  • Orientação do reitor/praeses de sua comunidade ou do superior de distrito; continuação do processo de discernimento, tendo em conta a preparação ao compromisso definitivo com o Senhor na Congregação.
  • Auto-avaliações periódicas.
  • Contato regular com o prefeito dos Irmãos em votos temporais e/ou com o diretor da formação dos Irmãos, bem como com o diretor espiritual.

Pode acontecer que um Irmão entre na Congregação com um diploma universitário ou com outro tipo de capacitação. Nesta etapa dos votos temporais, o Irmão que se acha nessas condições, exercerá de imediato sua profissão, dentro ou fora das estruturas verbitas. Onde for que trabalhe, deveria residir numa comunidade verbita, posto que ela forma parte integrante de sua formação religiosa.

3.4.3 OTP/PFT

“Em todas as etapas de sua formação, os Irmãos dedicam parte de seu tempo a atividades sociais e apostólicas, sob a direção de um guia. Encontros com outras culturas e colaboração missionária, por tempo limitado, são possibilidades muito recomendáveis para a sua formação” (Co. 515,3).

O Irmão também poderia optar por uma experiência formativa fora de sua cultura, em outra província ou país por meio do Programa de Formação Transcultural (PFT). Por sua natureza, o OTP/PFT deveria ser uma opção feita livremente pelo candidato. O pedido deveria ser dirigido ao diretor da formação dos Irmãos, passar por discussão no conselho local e ser submetido ao conselho provincial, para sua ulterior avaliação/ aprovação.

A idéia principal do PFT é a de dar a nossos Irmãos juniores a oportunidade de fazer uma experiência concreta de nossa vida missionária, fora de seu próprio ambiente sócio-cultural e de vivenciar o caráter internacional/intercultural da SVD. É um período no qual o solicitante tem a oportunidade de viver concretamente a experiência do carisma de nossa comunidade, de confiança, de reforçar e de avaliar suas convicções missionárias num contexto apostólico particular.

3.4.3.1 Objetivos

  • Permitir ao Irmão fazer uma experiência concreta de vida e trabalho em nossas comunidades e missões, num contexto sócio-cultural diferente do seu.
  • Ajudar o Irmão a amadurecer em sua vocação missionária.
  • Desenvolver os talentos do Irmão e estimular sua realização pessoal em sua vocação religioso-missionária.
  • Promover boas relações entre as província/regiões, bem como cultivar nosso carisma marcado pela internacionalidade e pela vida multicultural.
  • Apreciar a nova cultura, adquirir um bom equilibro emocional por meio do conhecimento/ experiência das realidades do país, no qual o Irmão se encontra fazendo seu PFT/OTP.

Antes de fazer o PFT, o Irmão deve:

  • Ser estável em sua vocação.
  • Ter um apropriado nível de maturidade emocional e espiritual.
  • Dispor de boa saúde.
  • Dispor de suficientes talentos ou conhecimentos profissionais.

3.4.3.2 Ministério

O ministério/serviço do Irmão durante seu PFT deveria ser:

  • Uma contribuição ao trabalho missionário da província/região que o recebe.
  • Uma oportunidade para que o Irmão possa exercer sua profissão
  • Uma experiência temporal de seu papel no trabalho missionário da Congregação.
  • Um contato direto com as novas realidades profissionais noutra cultura.

3.4.4 Experiência prática

Como foi mencionado, o PFT é uma opção aberta para o Irmão júnior, que a escolha, com prévia consulta aos seus formadores. Em vez de fazer essa experiência fora de sua cultura de origem, o Irmão júnior poderia fazer uma experiência prática em sua própria província/região ou país (por 1 a 2 anos), depois de ter terminado sua formação profissional. Essa atuação lhe serviria para consolidar o domínio de seus talentos e aptidões na área ou campo de trabalho de sua profissão/ capacitação, bem como para crescer em sua auto-estima e na confiança em suas capacidades.

Cumpre ter presente que, durante essa etapa, o Irmão júnior está ainda em votos temporais, continuando a sua formação inicial. Por tal motivo, a comunidade à qual haja sido enviado tem o dever de propiciar-lhe um ambiente formativo, ajudando-o na organização de seu programa/ordem do dia. Espera-se que exista um sadio equilíbrio entre seu trabalho e outras atividades comunitárias.

3.4.4.1 Objetivos

  • Facilitar ao jovem Irmão (equivalente neste texto ao “status” de Irmão júnior ou Irmão em votos temporários) o necessário para tornar-se mais seguro em suas aptidões profissionais.
  • Aprender a conseguir um bom equilíbrio entre o trabalho, a vida comunitária e a vida espiritual.
  • Permitir aos formadores, bem como a outros membros da Congregação, alcançar uma melhor apreciação das capacidades profissionais do Irmão e de sua vida comunitária.

3.4.4.2 Meios

  • Adequada localização/destino do Irmão júnior para sua experiência prática, dentro ou fora das estruturas verbitas.
  • Acompanhamento do jovem Irmão por uma pessoa com experiência no campo escolhido.
  • Pesquisa permanente em sua profissão, mediante livros, revistas e outros meios.
  • Animação e apoio da comunidade por seu interesse no trabalho do jovem Irmão.

3.4.5 Votos perpétuos

O Irmão júnior, nessa fase, terá renovado regularmente seus votos temporais, dentro do prazo previsto por nossas Constituições. Plenamente consciente de seu processo de crescimento ao longo dos anos de votos temporais, o jovem Irmão se prepara agora para fazer seu compromisso religioso-missionário definitivo com o Senhor, por meio da profissão dos votos perpétuos na SVD.

3.4.5.1 Objetivos

“A preparação imediata aos votos perpétuos realiza-se sob uma direção espiritual especial. Mediante conscienciosa regularidade na oração e meditação, na leitura da Sagrada Escritura e na celebração eucarística, os confrades sejam confirmados na contínua e necessária conversão ao Senhor; assim podem chegar à definitiva decisão de se consagrarem para sempre ao Verbo Divino para a obra de salvação na Congregação” (514).

  • Integrar as diferentes experiências e valores encontrados durante a formação inicial.
  • Integrar a própria vida emocional e afetiva em seu compromisso religioso-missionário.
  • Avaliar a capacidade de encarar situações difíceis, e diferentes tipos de relações, como um modo de estabelecer a própria aptidão para viver em comunidade.
  • Apreciar e consolidar seus próprios talentos em vários ministérios ou serviços.
  • Afirmar sua própria capacidade e fidelidade para viver os votos de pobreza, castidade e obediência.

3.4.5.2 Meios

“Os confrades passarão o tempo de preparação para os votos perpétuos em uma casa da Congregação, na qual se garantam sólida formação e preparação. A preparação para os votos perpétuos dura de seis a doze meses” (Co. 514,1).

  • Conferências, reflexão e estudos sobre o significado do celibato, da pobreza e da obediência.
  • Reflexão sobre a Constituição SVD e outros documentos relevantes da Igreja para a vida religiosa.
  • Retiros e dias de reflexão.
  • Direção espiritual regular, reflexão/ meditação e oração pessoal.
  • Participação ativa na vida comunitária.
  • Orientações apropriadas no que concerne ao seu primeiro destino missionário à luz das capacidades do candidato, das necessidades da Igreja e da Congregação.

3.4.6 Primeiro destino missionário

“Em vista de nossa tarefa missionária, quem ingressa na Congregação deve estar disposto a ir para onde o Superior o enviar, ainda que tal designação exija renúncia da pátria, da língua mãe e da cultura do seu meio” (Co.102).

“Via de regra, os confrades recebem a primeira designação com a admissão aos votos perpétuos. Comunicam aos Superiores a que tipo de trabalho e em que área se julgam mais aptos a dar a sua contribuição. O Superior Geral indica-lhes o campo de trabalho, levando em consideração a sua saúde, suas aptidões e inclinações”(Co.116,1).

“Em concordância com o caráter da Congregação, serão os confrades destinados às diferentes províncias na base de relativa internacionalidade” (Co.116,2). Nesse sentido, por meio de nossas comunidades internacionais damos um valioso testemunho do Reino de Deus (Cf EDV 1,nº 48). Por essa razão, incentivamos aqueles que completaram sua formação em suas províncias/ regiões de origem, a pedir seu primeiro destino missionário em outra província ou país.

Às vezes, por razões excepcionais, é aconselhável que um Irmão, previsto para uma tarefa especial em sua província de origem, tenha a oportunidade de fazer uma experiência em outro país por um período de tempo limitado.

Tendo em conta que os Irmãos são chamados a dar seu contributo missionário principalmente mediante sua profissão, é aconselhável que realmente possam exercê-la, uma vez que foram preparados para isso, Por exemplo, um, Irmão carpinteiro não deveria ser designado a uma província/região, onde esse serviço não fosse necessário ou não haja meios para exercê-lo.

Primeiro destino: procedimento para o pedido
C-21,1.0-4.0)

1.0 Disponibilidade total para a Igreja e a Congregação

“Os primeiros destinos sempre foram expressão de nossa vocação específica, [...] da parte dos confrades prontos ‘a ir onde o Superior os envie’(Co.102) – ...- não somos nós mesmos os que nos damos o destino missionário. Recebemo-lo diretamente da Congregação e, por mediação dela, da Igreja. Impor a própria vontade aos superiores equivaleria a distorcer o sentido de nossa profissão religiosa e vocação missionária. Daí que a disponibilidade seja a atividade missionária mais elementar e básica de nossa institucionalidade. Assim o recalcam reiteradamente nossas Constituições” (Nuntius XIII,pág. 390,2). Na Congregação, o pedido do primeiro destino missionário deve ser considerado como um exercício de solidariedade e corresponsabilidade para com o bem-estar e o desenvolvimento de nossa comunidade religioso-missionária” ( Co. 603).

2.0 Qualidades do processo

2.1 Diálogo. A designação do primeiro destino terá lugar num ambiente de diálogo que implica o respeito dos superiores pela dignidade pessoal de cada um, bem como o respeito dos confrades por essa mesma dignidade pessoal, mediante sua iniciativa e zelo em atingir os objetivos da Congregação, com sua prontidão em aceitar a legítima autoridade de nossos superiores (Co 602.217 e 218).

2.2 Veracidade. É importante que os confrades façam os superiores cientes de sua situação, manifestando.

2.2.1 seu estado de saúde,

2.2.2 suas inclinações e capacidades pessoais,

2.2.3 para que tipo de trabalho se sentem mais aptos.

2.2.4 sua capacitação acadêmica ou profissional, campos de especialização, títulos ou certificados obtidos etc (Co. 116,1; 517).

2.3 Franqueza. Os nossos hão de ser francos e confiantes aos fazer seu pedido de destino. A falta de sinceridade e franqueza ao expressar as verdadeiras preferências e reais aversões pessoais implicam um sério erro e só conduzem à desorientações dos superiores e de quantos concorrem ao processo de destinação. Do mesmo modo, é importante expor igualmente as próprias preferências e os rechaços. Facilita o trabalho dos superiores o fazê-los saber em que lugar o interessado não deseja exercer seu ministério (Co. 116.1,218 e 219)

2.4 Flexibilidade. A disponibilidade e a adaptabilidade são elementos necessários para possibilitar um planejamento racional na Congregação (Nuntius XI, pág. 412,5).

3.0 Indicar três opções diferentes (Nuntius XIV, pág. 340).

3.1 O solicitante pode optar por uma província específica se tem motivos definidos para isso, como o ter realizado ali o PFT, o ter desenvolvido um especial interesse durante os anos de formação etc.

3.2 A opção pode ser um país melhor que por uma província, quando tal país tenha várias províncias (Como Brasil, Filipinas, Alemanha) ou quando não seja parte de uma área idiomática maior (Como Angola, China, PNG etc.).

3.3 É mais fácil para o Generalato designar ao destino se o solicitante, em vez de optar por uma província um particular, pede uma área idiomática, por exemplo, África de fala francesa ou inglesa, ou América Latina de fala espanhola ou portuguesa. Essa abertura e flexibilidade tem sido de grande ajuda para a distribuição do pessoal disponível de acordo com as necessidades existentes.

Ao dar os primeiros destinos missionários, o Generalato tem especialmente em conta o que se encontra no Manual do Superior (C-21, 4.1-4.5), a saber:

“A Congregação necessita de confrades dispostos a comprometer-se em certas áreas específicas de nossa missão SVD hoje, ou seja, formação (inicial e permanente), promoção vocacional, comunicações, educação (escolas colégios, universidades), institutos de pesquisas svd (institutos antropológicos e missiológicos) finanças e/ou administração”.

Os solicitantes interessados nessas áreas devem expressar as razões de suas preferências e indicar seus talentos pessoais e interesses na linha das preocupações básicas da Congregação, acima mencionadas.

Dado que nem sempre que se poderá conceder a primeira opção, o confrade deverá estar disposto a aceitar outro destino, se assim lhe for pedido. Os voluntários para o primeiro destino devem entender que têm a mesma oportunidade de receber tanto a terceira opção quanto a primeira. Ninguém deve aborrecer-se por receber o destino que manifestou como sua terceira preferência (Nuntius XIII, pág. 430).

O Generalato, em geral, consultará o interessado, antes de destiná-lo a um país ou ministério não expresso no pedido. Isso não se fará, no entanto, quando tratar-se da destinação ao próprio país natal (Nuntius XI,pág. 412,5). Para maiores orientações acerca do primeiro destino missionário e seus procedimentos, veja-se também MS,C-21,50-6.5.

3.4.7 Formação permanente

“Mudanças no mundo e na Igreja, na ciência, e na teologia, bem como a evolução nas diversas fases da vida exigem de cada confrade e de cada comunidade um estudo constante, uma formação profissional ininterrupta e permanente maturação” Co. 520.

O crescimento é tarefa de toda uma vida (Co.501), é permanente, porque “nós não chegamos jamais à meta e sempre nos encontramos a caminho”(Co 523). A formação permanente e a atualização em sua própria profissão são responsabilidade e dever de cada verbita (Cf.Analecta SVD 70/2, 1995, pág.93).

A formação permanente se constrói tendo presente a formação inicial. De fato, há uma continuidade natural entre uma e outra. Nesse sentido, durante o tempo dos votos temporais, os Irmãos juniores têm a oportunidade de participar em oficinas e encontros organizados em nível distrital e provincial. Essa etapa, que dura toda a vida, deveria ser vista como as duas faces de uma mesma moeda: primeiro, é tarefa e responsabilidade de cada um (mediante leituras, participação em oficinas, conferências e outros meios). Infelizmente, muitos Irmãos estão demasiadamente “ocupados”, de modo que apenas aproveitam essas oportunidades. Dever-se-ia melhorar tal situação.

Em segundo lugar, a formação permanente é confiada à responsabilidade das províncias e regiões, que, mediante seus superiores e outras pessoas idôneas, deveriam garanti-la. O XIII Capítulo Geral 1988 recalca que “cada província deveria ter um programa de formação permanente” (Cf. HV1, III tópicos especiais sobre a formação, F. Formação permanente, p. 73). O Diretor da formação dos Irmãos deveria cooperar na formulação desse programa e em estimular mais Irmãos idôneos a empreender estudos superiores. O terciado constitui outra possibilidade para a renovação pessoal, cuja participação deveria ser promovida (cf. MS, C-257).

3.4.8 Especialização

“Os serviços especializados e prioridades da missão da Congregação exigem pessoal especializado. Por isso, os estudos superiores devem ser considerados parte essencial da preparação para a missão. Por conseguinte, os superiores devem incentivar os confrades, que reúnam os talentos e qualidades requeridas, a que aspirem a estudos superiores” (MS, C – 23, 1.0).

4. OS RESPONÁVEIS DA FORMAÇÃO DO IRMÃO

4.1 O Candidato Irmão

O candidato Irmão é, por suposto, o primeiro responsável de sua formação. Por conseguinte, deveria participar ativamente em seu processo formativo. Sua cooperação inclui um crescimento nos aspectos humanos, espirituais e acadêmicos. “É tarefa de toda uma vida, incumbe a cada um e à comunidade” (Co.501).

4.2 O Animador Vocacional

O diretor/animador vocacional deveria ser um confrade em votos perpétuos que manifeste alegria em sua vida e empenho missionário na SVD. Deveria ter o interesse e a capacidade de trabalhar com os jovens e deve avaliar bem a idoneidade de potenciais candidatos para a SVD. Seu trabalho, antes de tudo, será o de conhecer e animar a fé viva daqueles jovens que encontre em seu caminho. Também se esmerará em conhecer melhor as famílias de potenciais candidatos verbitas. Sua tarefa é promover/despertar vocações missionária, particularmente de Irmãos e Sacerdotes para a Igreja e para a SVD. Deveria ser capaz de trabalhar em equipe com outros confrades, especialmente com os formadores, e ser responsável de seu trabalho face ao Superior Provincial e seu Conselho.

4.3 Prefeito dos Irmãos em votos temporais

O papel do Prefeito dos Irmãos em votos temporais é o seguinte:

  • Encontrar-se de forma individual com cada Irmão no começo do programa previsto no projeto pessoal para considerar avaliações prévias e para planejar passos sucessivos.
  • Reunir-se com o (os) Irmão (aos) no começo de cada novo ano de votos, para fixar objetivos e para discutir outros assuntos relacionados com sua formação.
  • Ter um encontro periódico com cada Irmão em votos temporais.
  • Facilitar a participação do Irmão em experiências práticas/pastorais.
  • Assistir cada Irmão no processo de discernimento de sua profissão.
  • Organizar avaliação anual de cada Irmão em votos temporais.
  • Intercambiar idéias com o (os) Irmão(s) acerca das oportunidades para fazer o retiro espiritual anual.
  • Assistir o Irmão (ou o grupo de Irmãos) na formação de seu programa teológico.
  • Promover uma adequada orientação e avaliação, ao menos anualmente, das atividades e avaliação da preparação aos votos perpétuos.
  • Assegurar-se de que se estabeleça um apropriado programa de formação espiritual.
  • Assistir ajudar na seleção dos acompanhantes locais.

4.4 Superior Local

O papel do Superior local o assinalamos a seguir:

  • Goza de todos os direitos e obrigações indicadas nas Constituições e seus diretórios (cf. Co.636).
  • Tem de ser consultado acerca das atividades que o jovem Irmão desenvolverá fora da comunidade (por exemplo: atividades pastorais, serviços sociais, experiências práticas).
  • O superior também proverá de modo regular o dinheiro “de bolso” para o jovem Irmão e velara para que use responsavelmente outros fundos da comunidade.
  • Tem direito de receber um relatório do jovem Irmão correspondente às atividades realizadas.

4.5 Acompanhamento local

Quando um Irmão em votos perpétuos tenha aceitado a tarefa de acompanhar um Irmão jovem no lugar de sua experiência prática/ pastoral, ou de estudos profissionais, seu trabalho implica sobretudo:

  • Disponibilidade para escutar o jovem Irmão e para animá-lo.
  • Habilidade para identificar possíveis falhas em sua vida e ajudá-lo a superá-las;
  • Realização de visitas ocasionais ao lugar de estudos/ trabalho do Irmão em apreço.
  • Prontidão para ajudá-lo a promover seu crescimento pessoal mediante conselhos adequados e assistência na superação de suas dificuldades.
  • Capacidade para assisti-lo na tarefa de aprofundar a compreensão de sua vocação.
  • Habilidade em animar o Irmão em votos temporais a valorizar a SVD e seu próprio compromisso missionário com ela.

4.6 Diretor espiritual

Sua tarefa consiste em:

  • Assistir o Irmão em votos temporais a crescer em maturidade pessoal e fé viva.
  • Orientar o jovem Irmão a aprofundar a compreensão de sua vocação e o significado dos três conselhos evangélicos.
  • Guiá-lo e animá–lo em sua vida de oração, para que seja capaz de conformar-se aos sentimentos de Jesus Cristo (Cf. Fil 2,5).
  • Levar o jovem Irmão a tomar consciência da necessidade de uma contínua Knosis (aniquilamento) e assumir um estilo de vida simples.
  • Desafiar o jovem religioso a mostrar, por meio de sua vida, que Cristo é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). apesar das dificuldades que possa encontrar.

4.7 Diretor Provincial/Nacional de Formação dos Irmaõs

De acordo com as Constituições, cada província/região deve designar um Diretor da formação dos Irmãos. Não obstante, onde existam várias províncias em um mesmo país, geralmente há um Diretor Interprovincial/ Nacional da formação dos Irmãos (cf. Co.522,3), e seu papel é o seguinte:

  • Verificar que o programa da formação dos Irmãos seja aplicado nas províncias.
  • Acompanhar de perto os programas de formação estabelecidos, avaliando-os e propondo mudanças, se for necessário.
  • Intervir quando o programa de formação dos Irmãos não é aplicado ou quando não se dá o crescimento pessoal nos candidatos Irmãos ou naqueles que já estão em votos temporais.
  • Propor instituições e paróquias como lugares para a formação (experiência pastoral/prática) e sugerir pessoas idôneas para o acompanhamento nesses lugares.
  • Ajudar cada Irmão em formação a crescer em sua vocação verbita, bem como determinar sua disponibilidade/ prontidão para o trabalho missionário.
  • Coordenar propostas para a nomeação/designação em nível provincial e interprovincial, durante o período de formação inicial.
  • Coordenar o encontro anual/periódico dos Irmãos em votos perpétuos e temporais.
  • Coordenar a formação permanente dos Irmãos.
  • Manter contato com os responsáveis da formação dos Irmãos, por exemplo, por meio de encontros e reuniões periódicas.
  • Participar na comissão provincial/nacional dos formadores.

5. CONCLUSÃO

Esperamos agora que, à luz da presente reflexão, as províncias/ regiões levem a cabo uma revisão de seus respectivos programas de formação para os Irmãos. Essa tarefa não é fácil, mas a vocação do Irmão tem um grande valor para o mundo atual. Apesar das muitas dificuldades em compreender e apoiar essa vocação no presente contexto (clericalismo, status jurídico da SVD etc), um bom programa de formação para nossos Irmãos pode ajudar a aumentar seu número e melhorar a vida e missão de nossa Congregação. Os Irmãos deveriam ser considerados, cada vez mais, como ‘partners’ (companheiros) que, juntos com os confrades clérigos, levam adiante a missão comum da SVD, por meio de diferentes e complementares enfoques missionários.

Os Irmãos verbitas, por meio de sua vida e de seu trabalho, cumprem um papel profético na SVD e na Igreja. Eles nos recordam a comum dignidade e fundamental fraternidade dos cristãos: “vocês são todos irmãos” (Mt 23,8). Além disso, os Irmãos mantêm vivo o sentido da autêntica comunhão em nossa comunidades, bem como de nossa unidade na diversidade, que se expressa em ser leigos consagrados que vivem junto com confrades clérigos (cf/Co 104). Não há dúvida: “a ausência de um Irmão numa comunidade verbita é uma nota negativa que empobrece nosso testemunho religioso-missionário” (cf. HV 1, III tópicos especiais, B.Formação do Irmão SVD).

É importante recordar que o trabalho missionário não está sujeito à ordenação. Por conseguinte, à luz do XV Capítulo Geral SVD (2000), deveríamos ter presente que os Irmãos dão um grande contributo à missão, mediante seus trabalhos profissionais, serviços sociais e ministério pastoral. Com ser leigos, os Irmãos hão de sair ao encontro do povo, especialmente daqueles que raras vezes “põem seus pés na igreja”, como daqueles que professam outras crenças religiosas. Que essas orientações ajudem a dar aos Irmãos uma sólida formação humana, espiritual, social, profissional e religioso-missionária. Em todo o documento, tivemos em conta o que concerne à formação dos Irmãos. A última palavra é de reconhecimento pelo que as províncias e regiões já realizaram para melhorar e atualizar seus respectivos programas de formação para nossos Irmãos.

Roma, 27 de janeiro de 2005.


APÊNDICE

Um panorama geral dos Irmãos Verbitas hoje
IRMÃO ALFONSO BERGER, SVD

Nas seguintes páginas, quisera partilhar algumas informações acerca dos Irmãos verbitas, baseadas em minha pesquisa e em meus contatos, durante as visitas gerais. Estudei também os informes enviados ao Generalato, bem como as reflexões de alguns confrades. Embora a situação atual dos Irmãos verbitas possa causar certas preocupações, considerando o seu perfil no presente (12,5% do total dos membros da SVD=6.050). é importante destacar que os Irmãos estão realizando um bom trabalho, mediante seus diferentes serviços no mundo. De fato, há um grande apreço pelos Irmãos verbitas por parte da maioria dos confrades sacerdotes e, de contínuo, também por parte do povo. Apesar de haver algumas dificuldades, os Irmãos dão destacado contributo à Congregação, à Igreja e à sociedade civil, por meio de seu testemunho do Senhor, especialmente no que tange a uma autêntica irmandade e solidariedade com o povo.

As seguintes estatísticas, compiladas (do “Catalagus”) de 2004, oferecem um panorama geral dos Irmãos verbitas na atualidade. Classifiquei-os por zonas e de acordo com o ano de nascimento. Os números representam os Irmãos em votos perpétuos e em votos temporais. Esses Irmãos vivem e/ou trabalham nas províncias/regiões a que foram designados. Aqui estão incluídos os Irmãos noviços. Uma breve introdução sobre o trabalho dos Irmãos, seu desenvolvimento, seus desafios e suas esperanças, precede as estatísticas de cada zona. Pode-se encontrar algumas diferenças entre o “Catalogus” 2004 e as cifras apresentadas aqui, porque não inclui nelas os Irmãos falecidos ou os que foram transferidos, recentemente. No entanto, a nova missão em Chade (TCD) e a nova região Centro-americana (CAM) foram acrescentadas como entidades separadas.

AFRAM

De acordo com o “Catalogus” 2004 e outras fontes, esta zona tem 55 Irmãos em votos perpétuos e só 3 em votos temporários. Duas províncias se destacam no que toca ao número de Irmãos: GHA (26 em votos perpétuos e 1 em votos temporários) e CNG (10 em votos perpétuos e nenhum em votos temporários). O número de Irmãos em quase todas as províncias e regiões é pequeno. Em Ghana e no Congo há vários Irmãos trabalhando em profissões e oficinas: carpintaria, agricultura e mecânica. Outros estão empenhados na educação, na pastoral, na administração e na formação.

Uma dificuldade particular dessa zona é o fato de somente um pequeno número de províncias/regiões contar com 3 Irmãos em votos temporais, o que representa um considerável desafio para a animação/ promoção das vocações para Irmão.

Os Irmãos, conforme o ano de nascimento, segundo suas províncias/regiões:

Provincia/Região 1920 – 1940 1941-1960 1961-1980 Total
GHA (Gana) 07 13 07 27
CNG (R. D. Congo) 04 00 06 10
BOT (Botsuana) 00 03 02 05
KEN (Quênia) 00 02 03 05
TOG (Togo) 00 00 03 03
ANG (Angola) 01 02 02 05
MAD (Madagascar) 00 00 01 01
MOZ (Moçambique) 00 00 01 01

TCD (Chade)

00 00 01 01
TOTAL AFRAM 12 20 26 58

ASPAC

Desde o final dos anos 1980, a zona ASPAC tem o número mais alto de Irmãos verbitas em votos temporais. Com efeito, conta atualmente com 63 Irmãos em votos temporais dos 82 que tem toda a Congregação. Há, sobretudo, que destacar: 46 desses Irmãos procedem da Indonésia, 5 do Vietnã, 4 da Índia e 4 das Filipinas. As outras províncias e regiões têm muito poucos Irmãos em votos temporais e algumas, nenhum (cf.”Catalogus”2004, pp.461-462).

A zona ASPAC conta com a maioria dos Irmãos SVD desde o ano de 2003. Contudo, deveríamos ter presente que essa zona tem 2.565 clérigos e apenas 329 Irmãos (incluindo todos aqueles que estão em votos perpétuos, temporais, bem como no noviciado – cf. “catalogus”2004, página 454-)

Um bom número de Irmãos se dedica ao trabalho tradicional: carpinteiros, mecânicos, manutenção das casas e na granja. Outros estão atuando na educação, na administração e na saúde. Um reduzido número se dedica à manutenção de ordenadores (PC), às comunicações e à formação. Em geral, há encontros periódicos em nível nacional ou zonal. Um desenvolvimento positivo constitui o fato de que várias províncias atualizaram (ou estão ao fazê-lo) seus programas da formação dos Irmãos.

Os Irmãos, conforme o ano de nascimento, segundo suas províncias/regiões:

Provincia/Região 1920 – 1940 1941-1960 1961-1980 Total
IDE (Indonésia) 08 25 33 66
IDR 03 03 22 28
IDT 05 10 25 40
IDJ 04 07 30 41
Total Indonésia 20 45 110 175
         
INC (Índia) 10 05 09 24
INE 04 03 06 13
INM 00 01 01 02
INH 00 05 01 06
Total Índia 14 14 17 45
         
PHC (Filipinas) 04 03 06 13
PHN 02 04 00 06
PHS 00 07 02 09
Total Filipinas 06 14 08 28
         
Outras províncias 1920-1940 1941-1960 1961-1980 Total
PNG (Papua Nova Guiné) 13 + 1* 07 13 34
AUS (Austrália) 01 05 09 15
VIE (Vietnã) 04 + 2* 04 06 16
SIN (China) 02 03 04 09
JPN (Japão) 01 00 04 05
KOR (Coréia) 00 00 02 02
Total 21 + 3* 19 38 81
         
Total ASPAC 64 92 173 329

* Irmãos nascidos entre 1900-1919, portanto com mais de 85 anos.

EUROPA

Esta zona tem uma longa história de Irmãos, relacionadas, especialmente, com a imprensa de Steyl. Muitos foram enviados a outros continentes durante o último século. Contudo, cabe assinalar que também um bom número permaneceu na Europa, para assumir a manutenção das Casas Missionárias (Steyl, Santo Agostinho, São Gabriel e São Vendelino). Essa situação mudou radicalmente, depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), com a crise generalizada das vocações e a baixa taxa de natalidade. Em 1990, por exemplo, a zona européia tinha 351 Irmãos em votos perpétuos e 40, em votos temporais. Do segundo grupo, 28 residiam na POL. Em 2000, a zona contava com 274 Irmãos em votos perpétuos e 12, em votos temporais. Houve uma diminuição de 105 Irmãos em 10 anos!

Em geral, os Irmãos, na Europa, trabalham na manutenção das casas, em carpintarias, na animação missionária, além de realizar outros serviços: administração, pintura, formação, retiros, jardinagem etc. Ao mesmo tempo, também se destacam por sua participação na vida comunitária. Muitos passaram por certas crises devido à sua formação profissional inicial. De fato, o cessar de algumas oficinas e serviços tradicionais (imprensa, oficinas mecânicas, granjas, padarias e algumas carpintarias), exigiu dos Irmãos uma adaptação à nova realidade. O reduzido número de novos candidatos Irmãos representa um desafio, posto que muitos Irmãos ainda estão esperando um substituto para seus trabalhos atuais.

Os Irmãos, conforme o ano de nascimento, segundo suas províncias/regiões:

Província/Região 1920 – 1940 1941-1960 1961-1980 Total
CUR (Generalato) 00 00 01 01
ROM (Roma) 03 01 04 08
GEN (Alemanha) 35 + 10* 10 04 59
GES 36 + 06* 05 03 50
OES (Austria) 21 + 02* 12 00 35
NEB (Holanda/Bélgica) 15 + 07* 02 02 26
POL (Polônia) 05 + 02* 05 14 26
SLO (Eslovaquia) 02 01 04 07
HUN (Hungria) 01 02 00 03
SWI (Suiça) 03 + 01* 02 01 07
ITA (Itália) 02 01 00 03
IBP (Irlanda/Inglaterra) 04 + 01* 00 02 07
ESP (Espanha) 02 00 01 03
POR (Portugal) 00 01 02 03
URL (Russia/Ucrânia…) 00 01 07 08
Total EUROPA 129 + 29* 43 45 246

* Irmãos nascidos entre 1900-1919, portanto com mais de 85 anos.

PANAM

Nesta zona, os Irmãos verbitas têm também uma destacada tradição. Cumpre recordar que entre 1890 e 1909, ela recebeu 177 Irmãos, um número elevado, se considerarmos que, em 1905, a totalidade da SVD tinha 551 Irmãos e 288 sacerdotes. No entanto, tal realidade foi-se mudando com o tempo, o que se nota claramente nas atuais estatísticas: a zona tem agora 115 Irmãos em votos perpétuos e só 6, em votos temporários, mas conta com 1.194 clérigos. Nesse sentido, é lícito afirmar que a PANAM é a mais clericalizada das quatro zonas: cerca de 91% são clérigos e só 9%, Irmãos. A proporção entre Irmãos e clérigos nas outras zonas é a seguinte: AFRAM com 11% de Irmãos; ASPAC com 11,5% e EUROPA COM 18,5% De Irmãos (Cf. estatísticas/gráficos ao final deste informe).

Outra consideração que devemos ter em conta é o fato de a vocação do Irmão ter-se desenvolvido amplamente só em três países: EUA, Brasil e Argentina. Em outros países como Chile, Paraguai; México e Bolívia, no passado, houve um bom número de Irmãos, mas diminuiu com o passar do tempo. Geralmente, em todas as outras províncias e regiões da América-Latina, a vocação do Irmão nunca experimentou um grande desenvolvimento. A causa pode estar relacionada ao clericalismo e aos valores sociais.

Em suma, no que concerne à PANAM, podemos dizer o seguinte:

  • Existem alguns programas bastante bons de formação dos Irmãos (ao menos em algumas províncias), mas constata-se uma escassez de vocações para Irmão.
  • A comunicação entre os Irmãos na Zona não é facial. Motivo: diferenças idiomáticas, ou seja, inglês, espanhol e português. Muitos Irmãos conhecem ema só dessas línguas, o que complica bastante o poder compartilhar experiências e informações.
  • Os Irmãos atuam em diferentes campos de trabalho: administração, pastoral, formação, carpintaria, granja, educação, saúde, animação missionária, apostolado bíblico, catequese, comunicações, assistência social, entre outras atividades.
  • Tenho a impressão de que, em geral, os Irmãos valorizam sua vocação e não têm muitas dificuldades com o clericalismo. Vivem sua consagração com alegria e empenho missionário.

Os Irmãos, conforme o ano de nascimento, segundo suas províncias/regiões:

Província/Região 1920 – 1940 1941-1960 1961-1980 Total
USC 20+06* 13 02 41
USS 04 01 01 06
USW 04 02 00 06
Total EUA 34 16 03 53
         
BRN 07+02* 00 01 10
BRC 02 + 01* 03 02 08
BRS 02 + 01* 01 01 05
BRA 00 01 01 02
Total Brasil 15 05 05 25
         
ARS 06 + 01* 02 01 10
ARN 05 01 02 08
ARE 00 00 01 01
Total Argentina 12 03 04 19
         
Otras provincias 1920-1940 1941-1960 1961-1980 Total
PAR (Paraguai) 02 02 05 09
CHI (Chile) 02 00 01 03
BOL (Bolívia) 01 00 02 03
ECU (Equador) 01 00 01 02
COL (Colômbia) 00 00 01 01
MEX (México) 01 00 02 03
CAM (Centro América) 00 00 00 00
Total 07 02 12 21
         
Total PANAM 57 + 11* 26 24 118
         
TOTAL GERAL 253 + 43*= 296 181 268 751

* Irmãos nascidos entre 1900-1919, portanto com mais de 85 anos.

IRMÃOS VERBITAS
(Em votos perpétuos, temporários e noviços)

IRMÃOS* - CLÉRIGOS

* Irmãos em votos perpétuos, temporários, incluindo os noviços.

A evolução dos Irmãos e Clérigos
ao longo dos anos (*)

Años: 1885 1905 1915 1935 1965 1985 2000 2004
Clérigos 35 520 901 2479 4230 4434* 5113 5275
Irmãos 24 605 841 1870 1483 995* 848 775

*Introduziu-se algumas mudanças no “Catalogus” de 1984. Por isso, as cifras mencionadas incluindo o número de sacerdotes, bispos, diáconos e estudantes/noviços clérigos e Irmãos, decidi calcular a média dos Irmãos noviços no período de 1980 a 1985. Calculei os Irmãos noviços eram aproximadamente 10% (35) do total dos noviços (355) naquele ano. Assim, teremos: 3.354+ 760+ 320 = 4.434* clérigos e 960+35=995* Irmãos.

Foram efetuadas novas mudanças no “Catalogus”, em 1999. Os membros verbitas foram organizados pelas seguintes categorias: sacerdotes, (incluindo bispos, diáconos permanentes) fratres em votos temporais, Irmãos em votos perpétuos, Irmãos em votos temporais e noviços ( sem distinção entre clérigos e Irmãos). Esse é o sistema vigente hoje em dia.

No ano 200, havia 5.113 clérigos (3.769+1007+ 337). Para descobrir o número de Irmãos naquele ano (848), raciocinei assim: 677+134+37. Do total dos noviços daquele ano (374), 337 (aproximadamente 90% eram clérigos e 37 (aproximadamente 10%) eram Irmãos).

As cifras do ano 2004 foram deduzidas seguindo os mesmos critérios de cálculo. De fato, tomando o número médio (1026) de fratres dos últimos 5 anos ( 2000 – 2004) e o número médio (105) de Irmãos em votos temporários, podemos ver que a proporção entre os clérigos e os Irmãos permanecem próxima a 90% para os primeiros e de aproximadamente 10% para os últimos. A continuar essa tendência, os irmãos constituirão, nos próximos anos, 10% do total da Congregação (ou talvez menos). Na realidade, no ano de 2004, os Irmãos em votos temporários eram 82, enquanto que os fratres somavam 1.043. Essas cifras indicam que apenas 7,3% eram Irmãos, enquanto que 92,7% eram clérigos.

(*) Fonte: “Catalogus”SVD 2004,pp,463-464.

Para além das estatísticas

As estatísticas dos Irmãos verbitas podem causar uma impressão um tanto negativa devido à diminuição numérica deles. No entanto, quisera acrescentar alguns pontos a considerar na avaliação do panorama geral dos Irmãos verbitas.

  • O testemunho de vida dos Irmãos é vital para a promoção da vida religiosa. Por isso, é imperativo reconhecer/ valorizar aqueles Irmãos que na história da SVD deram um positivo exemplo de vida religiosa, não só para as pessoas com quem trabalhavam, mas também para seus próprios confrades e para outros membros da Igreja.
  • Em décadas recentes, muitos Irmãos assumiram tarefas de liderança: vice-provinciais, superiores de distrito, reitores, “praeses” e conselheiros. Aqui vale mencionar: dentro da SVD há um amplo e explícito apoio, para que os Irmãos assumam esses papeis.
  • Outro sinal positivo é a revitalização das vocações para Irmão em algumas províncias e regiões. Por exemplo, há um bom número de candidatos, na Índia, no Brasil e na Argentina, entre outros países.

Essas são boas razões para manter-se a esperança. Agora, a minha expectativa é que cada província ou região use de sua criatividade para renovar seu compromisso com a animação vocacional do Irmão verbita. Ela pode ser vivida com alegria, em meio de tantos desafios e oportunidades da missão no mundo de hoje. Confio em que a presente reflexão sobre a formação do Irmão verbita seja uma valiosa ajuda nesse sentido.