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Madre Josefa

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Madre Josefa,
co-fundadora das SSpS é beatificada na Holanda

Arlindo Pereira Dias, SVD (da Holanda)
Maria José Rebelo, SSpS

s vilas de Steyl e Tegelen (município de Venlo), na Holanda e a cidade de Issum na Alemanha viveram momentos de profunda espiritualidade e festa entre os dias 28 e 30 de Junho de 2008. A figura de Josefa (Hendrina) Stenmanns fez uma multidão reviver o final do século XIX quando duas simples mulheres colaboraram na fundação de três congregações que ao longo do século XX cresceram e deram abundantes frutos: as Missionárias Servas do Espírito Santo – SSpS - (3500 Irmãs em 45 paises); as Servas do Espírito Santo da Adoração Perpetua (600 Irmãs) e os Missionários do Verbo Divino (6100 Irmãos e Padres Missionários em 65 paises). O caminho dos milhares de missionários e missionárias que partiram para todos os cantos do mundo no século passado, agora era feito de modo inverso em direção à pequena Steyl que agora acolhia milhares de pessoas do mundo inteiro. Ir. Betina Ropp comenta que “a presença de 5000 pessoas da Holanda, Alemanha e do mundo comove porque a Madre Josefa não foi às missões, mas seu coração estava em todo o mundo. Agora o mundo vem a Steyl para visitá-la”. Betina além do trabalho de atendimento a imigrantes pobres e desempregados é responsável pelas jovens missionárias leigas do MAS – (Missionárias por um tempo) que vão a paises do terceiro mundo dedicar um tempo da vida aos mais pobres.

Na tarde de 28 de Junho cerca de 1000 pessoas se reuniram na Igreja paroquial de Steyl para a vigília de ação de graças pela vida de madre Josefa. Todos se juntaram em frente à Igreja. Apesar de línguas tão diferentes foram aos poucos se comunicando e se percebendo como uma única família. Durante a oração as expressões de louvor e ação de graças vieram através de danças africanas, indiana e slovaca manifestando a inculturação do Evangelho entre os povos. No final da celebração as pessoas juntaram fitinhas e formaram a grande corrente da unidade em torno da missão. Após a vigília, neste tempo de calor em que tudo anoitece mais tarde na Europa, as pessoas foram acolhidas na Casa Mãe dos Verbitas em Steyl para o lanche e a convivência fraterna.

Na manhã do dia 29 de Junho mais de 5000 pessoas se reuniram para a Eucaristia de beatificação da Irmã Josefa no grande teatro ao ar livre ‘Doolhof’, que chamava atenção por sua beleza natural. A celebração, presidida por D. Frans Wiertz, Bispo da Diocese de Roermond, contou com a presença do Cardeal Jose Saraiva Martins (Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e representante do Papa Bento XVI) e de vários outros Bispos e Sacerdotes. O Cardeal português leu a Carta Apostólica de Bento XVI que introduzia Madre Josefa no registro das Beatas. Em sua mensagem, D. Jose Saraiva assim se referiu: “a Irmã Josefa é uma herança preciosa e um patrimônio espiritual para nós. O seu exemplo é um programa de vida, marcado por seu amor a missão e ao Espírito Santo e pelo seu testemunho de fidelidade e de amor a Cristo”.

A celebração deu destaque à internacionalidade através do uso de símbolos, musicas e danças típicas de diferentes paises onde as irmãs SSpS se fazem presentes. Um dos momentos de grande emoção ocorreu durante a abertura do grande painel com a foto de Josefa no centro do anfiteatro ricamente adornado. A seguir, Irmãs representantes dos cinco continentes trouxeram ao altar as relíquias da Irmã Josefa acompanhada de flores e velas. No momento do Evangelho, a profissão de fé de Pedro “Tu ES Cristo, filho do Deus Vivo” foi proclamada em 9 línguas, revelando a atualidade e universalidade da pessoa e mensagem de Cristo para o mundo de hoje.

Durante o ofertório, a Irmã Fátima Kapp, provincial das irmãs do Brasil Sul, entrou com o Valdir Bender, metalúrgico brasileiro casado, pai de dois filhos, cujo milagre abriu as portas para a beatificação da Irmã. Valdir que não conseguia esconder sua emoção, veio especialmente para a celebração. Ele contou-nos que uma das enfermeiras do hospital onde se encontrava em estado grave, com apendicite aguda, no ano de 1985, intercedeu à Irmã Josefa. “Quando estava para morrer os médicos me abriram para ver o que tinha e quase não consegui voltar”, relata. No dia seguinte, ao verificar a sua melhora repentina, os amigos e familiares deram inicio a uma novena na capela do hospital. No final da novena era a próprio Valdir, já recuperado, quem se fazia presente nas orações. Ir. Fátima, que se fez presente com outras 16 pessoas do Brasil comenta que o fato do milagre ter acontecido na pequena e desconhecida Poço das Antas, no Rio Grande do Sul é bem do estilo da Madre Josefa, uma vida no escondimento e na humildade. “É sinal de que Deus age no silencio”, acrescentou.

Antes da benção final a Coordenadora Geral da Congregação, Ir. Ágada Brand dirigiu uma palavra de gratidão aos presentes. Agada destacou entre as características de Madre Josefa o “olhar aberto aos que tinham mais necessidades” e a centralidade em Deus: “vivia na presença de Deus. Isto era como um respirar para ela. Ela nos desafia a que nos tornemos este tipo de mulher”.

As comemorações foram concluídas no dia 30 de Junho, durante a Eucaristia celebrada na cidade de Issum, terra natal de Madre Josefa que reuniu 4.000 pessoas. O filipino P. Antonio Pernia, Superior Geral da Congregação do Verbo Divino, viveu a celebração em Issum como “aproximação à personalidade e santidade da Madre Josefa”. Para ele “pode-se experimentar a profundidade da comunidade de Issum que produziu este belo fruto que é a beata Madre Josefa”. “Estou feliz em poder experimentar a ação e vitalidade da comunidade de Issum”, frisou. Ao comentar a ligação de Madre Josefa com os Verbitas ele acrescentou que “como co-fundadora da comunidade missionária” ela significou “ponte de colaboração entre as duas congregações”.

O P. Geancarlo Girardi, Procurador Geral SVD salientou que para os visitantes em Issum “foi um belíssimo contato com a comunidade local que sente como sua esta beata”. Para o verbita P. Joaquim Teixeira que veio de Portugal para a celebração “a vivencia da internacionalidade foi muichisimo forte nestes dias”. “Eu me perguntava como três pessoas tão diferentes como Santo Arnaldo, as Madre Helena e Josefa, com suas dificuldades pessoais puderam colaborar de maneira tão profunda e chegar a esta obra? Impressiona-me como o Espírito Santo atuou naquela altura”, conclui.

Mulheres com jeito próprio de ser Igreja, o desafio!

Assim como Madre Josefa, duas figuras de importância durante as celebrações foram a Ir. Agada Brand, atual coordenadora geral e a Irmã Maria Tereza Hornemann – Coordenadora Geral eleita em maio de 2008. Ir Agada Brand é natural do Rio Grande do Sul. Foi por dois mandatos provincial da província Brasil Sul das Missionárias SSpS. A seguir foi chamada a fazer parte da Equipe de Espiritualidade em Steyl. No ano de 1996 foi eleita coordenadora geral e reeleita em 2002.

A nova coordenadora das Irmãs SSpS é a alemã Ir. Maria Tereza Hornemann, natural de uma pequena povoação perto de Steyl, na Alemanha. Ela entrou na congregação em 1975. Foi professora de enfermagem, formadora de postulantes e noviças para a Europa. Foi eleita conselheira geral em 2002. As duas irmãs concederam a entrevista apresentada a seguir:

Como você avalia esses 12 anos na coordenação geral da congregação?

Ir. Agada Brand: Nós missionárias SSpS nestes anos demos muitos passos rumo a uma maior consciência e disponibilidade missionária das irmãs de nacionalidades não européias. Crescemos em consciência e entusiasmo missionário. Redescobrimos que somos missionárias de fronteiras, para ir onde a necessidade é maior. Abrimos novos campos de missão, entre eles com portadores de Aids, não apenas no cuidado dos doentes, mas também na conscientização e ajuda às mulheres no sentido de auto-ajuda. Queremos fazer caminho com elas e ir lutando por aquilo que dá sentido à vida delas.

Que desafios você detecta para o futuro da missão da Igreja?

Ir. Agada Brand: Hoje as mudanças são muito rápidas. Para acompanhar o tempo é necessário discernimento constante e disposição a aprender coisas novas. Muitas vezes as estruturas nos amarram, tornam-se pesadas e não permitem um caminhar rápido adaptado às mudanças do tempo. Os dias de hoje exigem um tipo de vida religiosa diferente do passado, mas ainda não temos clareza no como. Estamos em busca de novos caminhos para que ela seja marcante e profética na Igreja hoje.

A internacionalidade também nos desafia. Somos de 43 nacionalidades, uma riqueza grande. A convivência em uma comunidade multicultural precisa ser aprendida, não basta colocar as pessoas juntas. È preciso abertura para aprender do outro, aceitar as diferenças, que não devem ser vistas como obstáculos, mas como riqueza. Devo estar disposta a deixar o que é meu para abraçar o que é do outro.

Outro desafio diz respeito ao espaço da mulher na sociedade e na Igreja. Se a mulher tivesse mais espaço na Igreja, com certeza seria um lugar muito mais acolhedor, onde todos se sentiriam mais à vontade, em casa. Hà muito caminho a se fazer neste sentido.

Quais são os principais desafios para a igreja no mundo de hoje?

Irmã Maria Tereza Hornemann: Um dos maiores desafios para mim é ser uma igreja mais próxima das pessoas. Devemos ajudá-las a experimentar que acreditar em Deus e relacionar-se com Ele traz força e alegria à nossa vida. As pessoas muitas vezes não encontram resposta para as suas necessidades dentro da Igreja. Uma das minhas preocupações é viver o ser cristã e missionária de forma que verdadeiramente faça sentido para as pessoas.

De outro lado gostaria que as mulheres estivessem mais envolvidas nas tomadas de decisões na Igreja; não por sermos melhores, mas por sermos diferentes dos homens nas tomadas de decisões. Isso traria mudanças. Gostaria de ver as mulheres realmente iguais aos homens em direitos. Temos nosso jeito próprio de realizar as coisas. Deus nos criou como homens e mulheres e isso deveria ser reconhecido como complementariedade. Seria uma bela contribuição para o mundo quando os dois puderem contribuir plenamente com suas qualidades e diferenças.

O que significa para a congregação o lema “compromisso com a vida”, assumido pelo Capitulo Geral celebrado no mês de maio ultimo?

Irmã Maria Tereza Hornemann: Significa servir à vida em todas as suas formas: a natureza, os animais e os seres humanos. Nossa ação deveria ser orientada por este principio: tudo o que fazemos ou deixamos de fazer deve estar a serviço da vida. Às vezes é também aquilo que deixamos de fazer. Devemos sempre apoiar a vida, para que possa crescer e ser protegida, especialmente nos lugares onde esta em perigo, reprimida ou não existe liberdade. Como mulheres somos chamadas a ser sensíveis às situações onde a vida està ameaçada e ai oferecer os nossos dons.

Pronto està o meu coração!

Quem é Madre Josefa?

Madre Josefa nasceu no dia 28 de Maio de 1852 em Issum, naquele tempo pequena cidade do Baixo Reno, na fronteira com a Holanda, diocese alemã de Munster/Westfalia/Alemanha. A jovem Stenmanns, desde cedo começou a cuidar dos pobres e a judar as pessoas em dificuldades. Para ela foi decisivo o encontro com Arnaldo Janssen em Steyl, que a convidou a fazer parte da nova congregação que estaria por fundar. A admissão como religiosa aconteceu no dia 12 de Fevereiro de 1884. Dez anos depois fez seus primeiros votos na Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo, novo Instituto fundado por Arnaldo e Maria Elena Stollenwerk, tornando-se mestra de noviças e em seguida Superiora Geral. Ofereceu um grande contributo ao crescimento da congregação na América Latina, Estados Unidos e África. Quando morreu em Steyl – aos 20 de Maio de 1903 – Arnaldo Janssen lhe atribuiu o titulo de co-fundadora. Nunca partiu em missão, mas tinha alma missionária. “Pronto esta o meu coração”, uma de suas frases, foi o lema usado na preparação da beatificação